Cronologia da crise nuclear da Coréia do Norte

A Coréia do Norte chegou hoje a um acordo com outros cinco países - Coréia do Sul, Estados Unidos, Japão, Rússia e China - para pôr fim ao seu programa nuclear, o que deve solucionar uma longa polêmica com a comunidade internacional.

Estes são os principais fatos do conflito: - 1987: A Coréia do Norte põe em funcionamento o reator nuclear movido a grafite de Yongbyon, com capacidade teórica para construir armas nucleares.

- 25/5/1992: Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informa, após inspeção, que Pyongyang não tem capacidade de produzir armas nucleares.

- 1993 12/3: A Coréia do Norte, que desde 1985 fazia parte do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), anuncia sua retirada do acordo em três meses, alegando manobras dos Estados Unidos e da Coréia do Sul.

2-11/6: A Coréia do Norte e os EUA realizam suas primeiras conversas oficiais em Nova York, onde rejeitam o uso da força, incluindo as armas nucleares, e se comprometem a respeitar as respectivas soberanias. Pyongyang suspende sua retirada do TNP.

14-19/7: É realizada a segunda reunião e Pyongyang se compromete em dialogar com a AIEA se Washington ajudar a reconstruir seus reatores.

- 8/7-12/8/1994: Terceira reunião. Pyongyang aceita substituir seus reatores movidos a grafite por outros de água leve (que usam urânio e plutônio de baixa potência).

21/10: Assinatura do Acordo Marco pelo qual Pyongyang se compromete a interromper seu programa nuclear em troca da construção de reatores de água leve em dez anos.

- 2002 29/1: O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, inclui a Coréia do Norte no "eixo do mal" junto ao Iraque e o Irã, e exige que Pyongyang abandone seu programa nuclear.

29/11: A AIEA exige de Pyongyang o fim de seu programa nuclear, a abertura das instalações e a aceitação de inspeções.

- 2003 10/1: Pyongyang anuncia na ONU que se retirará do TNP e classifica a AIEA como instrumento de Washington.

23-25/4: A China e a comunidade internacional convencem americanos e norte-coreanos a negociar em Pequim.

27-29/8: Primeira reunião em Pequim entre os seis países envolvidos na questão (EUA, as duas Coréias, Japão, China e Rússia), sem resultados.

9/12: A Coréia do Norte exige que os EUA retirem o país da "lista negra" de nações que apóiam o terrorismo, e suspendam as sanções econômicas.

- 2004 6/2: Abdul Kader Khan, cientista fundador do programa de armamento nuclear do Paquistão, admite ter transferido tecnologia nuclear secreta à Coréia do Norte.

25-28/2: Fracassa a segunda rodada de negociações em Pequim.

23-26/6: Terceira rodada em Pequim, sem resultados.

Setembro: A Coréia do Norte boicota a quarta rodada, devido à atitude "agressiva" dos EUA.

- 2005 10/2: Pyongyang anuncia, pela primeira vez oficialmente, que possui arsenal nuclear, e suspende o diálogo "por tempo indeterminado".

1/5: A Coréia do Norte realiza testes de um míssil, lançado no Mar do Japão.

9/7: A Coréia do Norte anuncia seu retorno às conversas.

13/9: Retomada a quarta rodada, na qual Pyongyang exige um reator de água leve para produzir energia nuclear com fins civis, possibilidade à que se opõem os EUA.

19/9: Pyongyang se compromete a abandonar seus programas de armamentos nucleares e a retornar o mais rápido possível ao TNP. Os EUA confirmam que não têm armas nucleares postadas na península coreana e não têm intenção de atacar a Coréia do Norte.

9/11: Começa a quinta rodada do diálogo em Pequim.

- 2006 21/6: Washington alerta que o lançamento de um míssil de longo alcance pela Coréia do Norte seria entendido como uma clara ameaça à paz.

5/7: Pyongyang testa pelo menos sete mísseis.

30/8: A Coréia do Norte reitera que não voltará às negociações sem que os EUA suspendam as sanções.

9/10: A Coréia do Norte efetua "com sucesso" um teste nuclear subterrâneo, segundo anúncio do regime comunista, fato confirmado uma semana depois pelos EUA.

11/10: O Governo do Japão decide impor sanções econômicas unilaterais à Coréia do Norte.

13/10: Moscou e Pequim se opõem às sanções, mas condenam o teste nuclear.

14/10: A ONU aprova uma resolução que impõe sanções comerciais e de armamento à Coréia do Norte, mas exclui a solução do conflito pela via militar.

31/10: A Coréia do Norte manifesta sua disposição de retornar à mesa de negociações sobre seu programa nuclear após um princípio de acordo com os EUA.

18/12: Começa a quinta rodada de conversas multilaterais em Pequim.

19-20/12: Dirigentes financeiros dos Governos de EUA e Coréia do Norte se reúnem em Pequim para discutir as sanções financeiras impostas sobre o Banco Delta Asia em Macau.

22/12: Termina a quinta rodada de conversas multilaterais em Pequim sem nenhum acordo, a não ser o desejo da desnuclearização da península de Coréia.

- 2007 16-18/1: Os negociadores americano e norte-coreano se reúnem em Berlim para tentar retomar o diálogo, em meio a expectativas otimistas.

30/1: A China anuncia oficialmente que o diálogo multilateral será retomado em 8 de fevereiro.

30-31/1: EUA e Coréia do Norte se reúnem novamente em Pequim para discutir as sanções financeiras.

8/2: Retomadas as conversas multilaterais em Pequim.

9/2: O relatório apresentado pela China no diálogo de seis lados para o desarmamento nuclear norte-coreano propõe o fechamento dos reatores nucleares de Pyongyang, incluindo o de Yongbyon, em um prazo de dois meses.

13/2: As delegações das duas Coréias, EUA, Rússia, Japão e China assinam um acordo que estabelece o fechamento das instalações nucleares do empobrecido regime stalinista da Coréia do Norte em troca de ajuda energética e econômica.

autor: Luciano Marinho - postagem criada: 13/02/2007 - 11:39
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