Eclipse Lunar Total, 1993. Imagem: Andy Steere

Na noite de 03 de março, observadores de várias partes do mundo terão a oportunidade de observar um eclipse total da Lua. O eclipse será visível na Ásia, na África, na Europa e nas Américas.

Denomina-se eclipse ao obscurecimento de um corpo celeste em virtude da interposição de um outro. Embora os eclipses solares ocorram em maior número, vemos com mais freqüência os lunares, pois são observados em áreas superiores à metade da Terra. Os eclipses lunares ocorrem quando a Lua penetra no cone de sombra da Terra, o que só pode acontecer na fase de Lua cheia. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo da sombra. Quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra, e além disso o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar. Além de uma parte escura, chamada umbra ou apenas sombra, a sombra da Terra tem uma parte cinzenta denominada penumbra. Mas é a sombra que dá o efeito de beleza ao fenômeno, pois a penumbra na maioria das vezes é imperceptível.

Na noite de 03 para 04 de março, a Lua irá nascer às 18h33min, mas às 18h30min, a Lua cheia começará a “mergulhar” na sombra da Terra. Assim, uma linha divisória surge como um entalhe no bordo lunar e penetrando cada vez mais até que às 19h44min a Lua estará toda coberta pela sombra de nosso planeta. Isso vai até às 20h57min quando começará a sair da sombra até que às 22h11min sairá por completo e estará novamente toda iluminada pelo Sol. Desta forma, o meio do eclipse ocorrerá às 20h20min.

Como a Lua já irá nascer eclipsada, vala a pena ir a locais altos para observar esse belo fenômeno. Ele possibilita a professores trabalharem conteúdos de Astronomia junto a seus alunos. Pode-se trabalhar, por exemplo, a idéia de que na data do eclipse, o Sol se põe às 18h35min e está no horizonte oeste, do lado contrário da Lua, que nasce no horizonte leste. Como no eclipse lunar a Terra está entre o Sol e a Lua, é fácil perceber isto quando um astro está nascendo de um lado enquanto o outro está na se pondo do outro lado.

Os eclipses lunares já foram mais importantes para a pesquisa. Eles forneceram a primeira prova de que a Terra é redonda, foram utilizados no estudo da alta atmosfera do nosso planeta, no estudo da rotação da Terra, no tamanho e distância do nosso satélite além de variações em seu movimento. Além disso, podem contribuir com a História na determinação de datas que se deram em tempos remotos.
Segundo R. Mourão, até o século XVII os eclipses lunares serviram para determinação da longitude de vários locais. Como o contato do disco lunar com a sombra da Terra ocorre no mesmo instante para qualquer observador, servia como sinal horário para os navegadores, fundamental na determinação da longitude de um ponto no mar ou das terras a serem exploradas.
Em 1942 os astrônomos franceses Chalonge e Barbier, analisando a luz da Lua eclipsada, mostraram que a camada de ozônio da nossa atmosfera é mais densa entre 20 e 30 km de altitude.

Quando a Lua estiver toda imersa na sombra poderá tomar uma cor de cobre, avermelhada. Como a luz do Sol atinge a Terra e passa pela atmosfera, os componentes da luz branca, que produzem as cores vermelha e laranja, espalham-se pelo ar cobrindo o céu com as cores do Sol no alvorecer e no crepúsculo. A refração transforma essas cores em sombra, por isso a Lua pode ficar avermelhada. O aspecto da Lua durante um eclipse total pode ser relacionado com a sua trajetória pela umbra, água, nuvens e partículas sólidas da atmosfera.

Neste ano temos ao todo 4 eclipses sendo 2 eclipses totais da Lua e 2 eclipses parciais do Sol. Destes, os dois eclipses lunares e o eclipse do parcial do Sol de 11 de setembro serão visíveis no Brasil. O outro eclipse da Lua ocorrerá na noite de 27 para 28 de agosto.

As observações do eclipse total da Lua podem ser realizadas com binóculos, lunetas e telescópios de fraco aumento. Para fotografar o eclipse, são indicados filme de sensibilidade média ou rápida (400 ASA) e aconselha-se um tempo de exposição instantâneo (1/25 de segundo) e de alguns segundos durante a fase da totalidade. Para obter na mesma foto a seqüência do eclipse, deve-se fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. É importante conhecer a trajetória aparente da Lua e utilizar mais de uma abertura e velocidade de disparo para garantir fotos de boa qualidade. Com a câmara fixa, apoiada em tripé, deve-se disparar manualmente (velocidade B) em intervalos de três, cinco minutos ou mais, sem avançar o filme. Usando-se teleobjetivas, como o campo é limitado, é possível obter imagens maiores da Lua e, portanto, nem sempre é possível fotografar, no mesmo quadro, toda a seqüência.

O evento tem a possibilidade de levar a ciência, pela observação do eclipse, a um grande número de regiões do país e às mais diversas comunidades para estudantes, professores e público em geral.

Vale a pena reunir a turma para observar o fenômeno que é mais bonito de ser visto a olho nu. A Lua sempre foi tema para os poetas. Quem se lembra de Eclipse Oculto e Lua de São Jorge de Caetano Veloso ou Luar (A Gente Precisa Ver o Luar) de Gilberto Gil? E de Total Eclipse Of The Heart que fez muito sucesso na voz de Bonnie Tyler?

O Observatório [Observatório do Morro Azul] estará aberto, com entrada franca, no campus do ISCA Faculdade (Limeira, SP), no sábado, dia 03 a partir das 18h. Será realizada uma palestra para explicação do eclipse e observações com o uso dos telescópios. O Observatório está aberto a escolas e grupos em outras datas. As visitas devem ser agendadas pelo telefone 3404-4729 ou 3404-4754.

Fonte: ISCA Faculdades/Notícias/ Eclípse/ “Eclipse total da Lua acontecerá na noite do próximo sábado; Observatório estará aberto”, por Paulo Sergio Bretones

autor: Luciano Marinho - postagem criada: 02/03/2007 - 11:03
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