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Rússia diz não ter dados sobre enriquecimento industrial de urânio no Irã


A Rússia declarou hoje que não dispõe de dados que confirmem o anúncio do regime do Irã de que iniciou o enriquecimento de urânio para seu programa nuclear em escala industrial.




"Por enquanto não temos dados que confirmem que o Irã tenha iniciado o enriquecimento prático de urânio em novas cascatas" de centrífugas interconectadas, disse o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.




A Rússia tenta "esclarecer a situação, em particular, por meio de contatos com analistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que continuam trabalhando no Irã", acrescentou.




Lavrov - cujo país é considerado, junto com a China, o grande aliado internacional do Irã na crise nuclear - se negou a confiar na declaração dada por Teerã de que começou a produção industrial de combustível nuclear até que haja provas disso.




"Claro, encaramos com toda a seriedade tudo o que ocorre em torno do programa nuclear iraniano, mas queremos nos apoiar nos fatos, e não nos gestos políticos emocionais", afirmou o ministro.




Para o chanceler russo, a única iniciativa que pode ajudar a esclarecer a situação é a realização de inspeções da AIEA sem aviso prévio (que a Rússia respalda). Além disso, insistiu em que a postura de Moscou será baseada o tempo todo "em fatos concretos".




O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou na segunda-feira que o país havia alcançado a produção de combustível nuclear em escala industrial, para o qual necessitaria de pelo menos 3 mil centrífugas em funcionamento.




Além de Lavrov, o porta-voz da Chancelaria russa, Mikhail Kaminin, minimizou a importância da declaração de Ahmadinejad, que foi recebida no mundo como um novo desafio à comunidade internacional.




"Não temos informação sobre avanços tecnológicos no programa nuclear iraniano que tenham mudado o caráter dos trabalhos no âmbito do enriquecimento de urânio nos últimos tempos", afirmou Kaminin em comunicado divulgado pela Chancelaria russa.




O porta-voz assegurou que a Rússia recebeu com "preocupação" o anúncio do Irã, que "de nenhuma forma reflete a disposição de seus dirigentes de fortalecer a cooperação com a AIEA e cumprir as decisões do Conselho de Segurança da ONU, a fim de restabelecer a confiança em seu programa nuclear".




Kaminin disse também que é preocupante a ameaça do regime de Teerã de abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.




No entanto, reiterou que "na imprensa e nos comentários sobre essa declaração (de Ahmadinejad) e, em geral, em torno do programa atômico do Irã, há muitas emoções e um sensacionalismo que nem sempre se baseia nos fatos".




"Moscou segue convencida de que Teerã deve resolver todos os problemas mediante cooperação com a AIEA e a via das negociações", afirmou.




O porta-voz lembrou que o grupo de seis mediadores internacionais na crise nuclear do Irã (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha - na Presidência rotativa da União Européia) confirmou em 24 de março a disposição de dialogar com Teerã.




"Consideramos que este é o único caminho sensato e viável para a solução do problema nuclear do Irã, e a Rússia está disposta a contribuir para que este objetivo seja alcançado", ressaltou.




O diretor do Organismo Iraniano de Energia Atômica, Gholam Reza Aghazadeh, disse que o país tem "tudo planejado" para instalar 50 mil centrífugas na usina de enriquecimento de urânio de Natanz.




O ministro de Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, assegurou que a suspensão do enriquecimento de urânio "é inaceitável" para o Irã e instou as potências ocidentais a "aceitar a nova realidade" do desenvolvimento nuclear do país

Autor: Luciano Marinho
Data: 10/4/2007 - Hora: 9:46

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