Cientistas descobrem como transformar qualquer tipo sangüíneo no universal
PARIS, 2 abr (AFP) - Cientistas franceses afirmam ter descoberto duas enzimas capazes de converter, com segurança, sangues dos grupos A, B e AB para o tipo O ou universal usado em transfusões sangüíneas.
Sob o sistema ABO de classificação do sangue, estabelecido em 1900, o do grupo O pode ser dado a todos os indivíduos.
Mas o do tipo A só pode ser dado a indivíduos dos grupos A e AB, e o do tipo B só pode ser dado a indivíduos dos grupos B e AB. Dar a alguém sangue do tipo errado pode causar um ataque maciço, às vezes fatal, das células sangüíneas transfundidas pelo sistema imunológico do organismo receptor.
Os autores do estudo afirmam que as duas enzimas são capazes de "eliminar as moléculas de galactose ou de N-acetil-galactosamina" presentes na superfície dos glóbulos vermelhos que caracterizam os antígenos dos grupos A, B e AB, e ausentes no tipo O indicou em um comunicado o Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês (CNRS).
A próxima fase será submeter as enzimas a uma bateria completa de testes de segurança antes de que possam ser usadas em bancos de sangue.
Se tudo sair bem, e o processo não é muito caro, as enzimas poderiam ser usadas para incrementar os estoques de sangue universal, ajudando a superar a falta de tipos de sangue específicos.
O estudo, de autoria de Gerlind Sulzenbacher, Yves Bourne e Bernard Henrissat, do CNRS, em colaboração com a sociedade americana ZymeQuest, foi publicado na edição deste domingo da revista Nature Biotechnology, uma publicação especializada do grupo Nature.


















